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A porta estava do outro lado da mesa. Ou melhor, a cadeira vazia estava no outro lado da sala. Sempre era assim. Sonhava em apenas aparecer e começar a falar. Podia chegar cedo e instalar-me no meu bunker. Não funcionaria.

Agora seguia. os olhos flutuando em algum lugar acima do seu corpo, apreciava o teatro. Alguns buscavam respostas. Outros, atores, imaginavam quando sairiam de cena. Alguns ensaiavam reprovação, qualquer que fosse o cenário.

Para cada face uma resposta, para cada ataque um movimento, para cada querer, uma esperança.

Agora, estavam todos ali. Imaginando o suspense. Apostando no tempo que levaria para a revelação, Disse bom-dia e notei, ao fundo da sala, uma gota de suor que atirando-se parecia me dizer: eu sabia, é o fim.

O irônico é que eu tinha uma resposta. Uma resposta arduamente computada. Uma resposta lógica, fria, imparcial, inquestionável, definitiva.

Mas agora não, ela já não existe. Todo rigor da lógica destruido nestes poucos passos, neste entrar no palco. Eis que só nos resta abrir a cortina, acender as luzes, retirar a maquiagem e devolver os ingressos.

Posted by Roberto de Pinho

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