Síndrome de Colombo

Uma coisa que sempre me marcou nas aulas de história foi a morte de Colombo. Pelo que recordo, ele caiu em desgraça junto a cora espanhola, morando pobre, doente e esquecido.
A wikipédia me diz que não foi bem assim. De fato caiu em desgraça, mas mantinha alguma riqueza.

Mas o que me incomodava era o tom, não sei se escrito, ou se ouvido, o peso que se dava às suas misérias de fim de vida.

Temos um plebeu, de origem duvidosa, que chega a Vice-Rei de Espanha, a grande potência da sua época.

Toda a sua glória esquecida, tudo de bom e incrível que deve ter vivido trocado pela ênfase num momento final infeliz.

Que todo fim seja a celebração de um percurso. Que nunca o luto de um átimo passe por cima de tudo de bom que se tenha produzido nas longas horas. A linha de chegada é por demasiado valorizada.

Posted by Roberto de Pinho

2 comments

Talvez até a a síndrome fosse melhor batizada mesmo de Santos Dumont. Outro ótimo exemplo. Não é pq se matou, não é pq fizeram mal uso daquilo que ele fez, que se pode dizer que não teve uma experiência incrível.

Tudo vale a pena quando a vida não é pequena…

E depois, viver num sonho não é fatalidade, é tudo que há. Não existe outra possibilidade, sonho eu.

E depois, há sempre o tempo de recomeçar.

E depois, há sempre o tempo de subir no mesmo bonde, ou em outro. Ou no mesmo, pintado de outra cor.

E se, como santos dumont, que dedicou sua vida à aviação, você chega ao fim e descobre que daria a vida para não ter feito tudo aquilo que antes era o sentido da sua existência – tudo aquilo que, aparentemente, era sua glória e sua riqueza? Eu estou com a Síndrome de Santos Dumont: chego ao final de uma longa estrada num desespero suicida de perceber que não era nada daquilo. I was living on a dream, it was just a waste of time. Meu reinado de glória foi num castelo de areia. Como você poderia medir minha fortuna com base neste reinado?

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