Le Crapaud Noir

o sapo boi que eu engoli ontem está boiando dentro do meu estômago. e a insônia grudou nos meus olhos e deu à minha boca um gosto de febre.
às 10:34 em ponto, ela entrou no escritório, eu sei porque cada tique do relógio reverberava na minha cabeça como um ataque dos exércitos aliados.

susto. acho que ela teve essa impressão minha quando entrou no escritório. pelo menos foi mais ou menos com um pequeno sobressalto felino que ela me percebeu. os olhos dela pararam em mim como de um pequeno mamífero encurralado.

estranho como me lembro nitidamente deste episódio. aquela pequena sala, não lembro a cor das paredes, mas a vibração era de um cinza cimento, cinza concreto. acho que reconstruí a sala na minha mente de acordo com a imagem que faço dela.

não sei, isso é confuso. tenho certeza de que havia um ventilador grande, velho e empoeirado. e que o ventilador estava desligado.

atrás de mim, certamente havia uma janela, que me iluminou à frente dela como se eu fosse uma aparição. isso certamente a impressionou. lembro dela ter fechado a janela ao sairmos.

será que lembro ou construí isso em cima de alguma outra coisa ? naquele dia eu dei um passo dentro de um mundo do qual eu ansiava fazer parte. e do qual, meses depois, me desligaria.

mas que diabos isso tem a ver com o sapo boi que coaxa dentro do meu estômago?

pequena edição sobre trechos de S.i.s.s.i.

Posted by Roberto de Pinho

4 comments

coaxar corrigido !

Coaxar é com X. :o)

Gostei de você ter mantido tudo em minúsculas.

A insônia recuou do corpo e recolheu-se dentro da minha ‘caixa craniana’. Creio que um analgésico dará conta disso.

No entanto, no caminho de ida e volta que ela percorreu, ficaram seus rastros. Esses, eu não sei como apagar.

Este post tá velho, já. Queremos posts novos!

Deixe uma resposta