Ontem, ouvi Stanley Jordan tocar Eleanor Rigby.

Talvez um título meio longo, mas já diz tudo. Não tenho mais palavras.

Por algum motivo, ao longo do show, vinham trechos de um texto, que reconheci mais tarde como sendo de Caetano :

Lembro com muito gosto o modo como ela se referia a ele. Pelo menos ela o fez uma vez e isso ficou marcado muito fundo, dizendo: caetano, venha ver o preto que você gosta. Isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem, um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo.

Era como se se somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma benção, adensasse sua beleza.

Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente. Era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta.” do livro “Verdade Tropical” de Caetano Veloso


Devo ter me identificado com alegria dele existir e a descoberta do que ele fez com a música.

O único ponto negativo do show, aqui em São Carlos, foi a profunda falta de educação de parte da platéia, que não parou de falar o tempo todo.

Posted by Roberto de Pinho

3 comments

Certamente uma figura marcante com sua técnica do “tapping”. Eu diria que é um verdadeiro PIANISTA da guitarra. Não tive a oportunidade de assisti-lo ao vivo ainda, mas em todas as apresentações que vi pelo vídeo notei a poesia com que ele conduz as músicas e faz seus arranjos. Acho que o texto de Caetano caiu como uma luva para ilustrar o momento.

eu senti o mesmo com Bobby McFerrin cantando Blackbird.

(sobre os saocarlenses)
Oh, look at all that lonely people…

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