O fim das ditaduras

No artigo “Democracia, evolução e teoria do caos” da Revista Ciência Hoje, Prof. Alneu do ICMC-USP e seus colegas usam algumas técnicas de algum modo relacionadas à computação para defender a democracia, em função da diversidade que ela proporciona. Esta diversidade seria fundamental para a sobrevivência de sistemas complexos, como são os países.

Pensando no longo prazo, como fazem os autores, podemos enxergar uma ditadura sempre chegando ao fim dada a sua relação de dependência a um ambiente de baixa diversidade. Numa ditadura, a opinião divergente é indesejada e perseguida, pois representa, no curto prazo, uma ameaça ao Status Quo.

Acontece que, estando os autores do artigo corretos, a diversidade presente nestas opiniões divergentes, podem vir a ser as necessárias à sobrevivência do sistema quando as condições mudarem, e elas mudam.

Pode-se imaginar um cenário em que um regime cada vez mais frágil às variações do ambiente, resolva recorrer ainda mais à repressão, diminuido ainda mais a sua capacidade de reagir ao novo e aumentando ainda mais a sua sanha por calar as vozes discordantes. Nesta espiral descendente, o líder isola-se num mundo cada vez mais fechado, irreal e difícil de manter. Este processo, como eu o enxergo, está magnificamente retratado no filme A Queda, sobre os últimos dias de Hitler, no bunker de Berlim.

Posted by Roberto de Pinho

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