O acolhimento do espaço

  Retiram-se as paredes e, pouco a pouco, a alma tímida como um pé livre do sapato apertado vai aventurando-se pela liberdade assustadora. Irrestrita, expande-se pelo deserto de pessoas e de comodidades. alguns poucos, movem-se em silêncio, destino e alegrias comuns, desconhecidos de uma vida inteira. A beleza monumental em toda exuberância de um poder […]

Sede

O coração seco ruma em direção ao mar. no caminho, nuvens seguem em sentido contrario Tão melhor que chegar à Caladan da infância seria ver chegar a chuva que transforma a terra alta Muito maior a alegria de um mundo que sorri, que o prazer mesquinho de banhar-se em meio a sedentos.

As Coisas: espaço vazio

Passava quase todo dia por lá. Não havia escolha: este era o caminho mais curto. Não passar por lá era reconhecer a importância do lugar, da memória referenciada daquilo que poderia ter sido. O lugar era duplamente irreal. Ela nunca morara lá. A janela marcava o lugar apontado em uma informação desencontrada. Alí fixara residência […]

Pequeníssimo Compêndio de Músicas sem noção

Uma música sem noção é aquela em que a música segue alegrinha apesar da tristeza retratada na letra. Falando pernosticamente,  geram dissonância cognitiva. Contribuições são mais que bem-vindas. Supertramp – It is raining again Kid Abelha – Os Outros

Sargento Getúlio, Twitter e a pasmaceira neste blog

Este ano cometi um erro: li Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro. Pulei a leitura no ensino médio. Sempre com manias de grandeza, resolvi ler Viva o povo brasileiro, que nunca terminei. Agora, Sargento Getúlio mata toda uma família de posts. Todas as vozes interiores que posso pensar são inúteis. A voz do Sargento é, […]

No Atlântico

Em algum lugar do Atlântico perdeu-se o meu anjo exterminador. Indeciso entre o seguir ou o voltar, afogou-se em reflexão e, em reflexo, no espelho que queria controlar. O mundo que herdo não é feito de alegrias ou respostas prontas. Nele cabe a tristeza no olhar do menino e cabe o adulto, que parece lhe […]

Amtrak

O trilho segue. Não há escolha. Pelo menos não na direção. Ficar ou seguir, é o que há. Eventualmente, uma decisão, em nosso nome tomada, e, raramente, umas poucas sob nosso controle, mas quando pouco sabemos do destino.

Business

A porta estava do outro lado da mesa. Ou melhor, a cadeira vazia estava no outro lado da sala. Sempre era assim. Sonhava em apenas aparecer e começar a falar. Podia chegar cedo e instalar-me no meu bunker. Não funcionaria. Agora seguia. os olhos flutuando em algum lugar acima do seu corpo, apreciava o teatro. […]

How do you measure a year ?

Quintana ensina que a beleza da folhinha é o arrancar da folha, belo exemplo concreto da possibilidade do recomeço, do refazer. Sidarta ensina que o recomeçar é difícil, mas possível, que a dor mascara-se em realidade e hábitos nos abraçam num desespero de sobrevivência. A idade nos ensina que mudamos, inconstantes núvens probabilísticas que ousam […]

As Coisas: Amoeba

The movie will begin in five momentsThe mindless voice announced.Everything unknown and yet possible. Every breath, a surprise.Every step, a test.Every idea, expanding. Every new dog, Oooooh, a dog, a doggie, another dog, yet another fucking dog. Every talking computer, every fucking fake robot, every Santa Claus whispers: There are less things in heaven and […]