Vendo Perfume

Gostaria de poder dizer “eu vejo perfumes”, in the fashion of “I see dead people”. Mas, é fato que não vejo perfumes. Minha debilitada visão é o meu sexto sentido.

Mas lia muito Perfume e vi Perfume, livro e filme. Acho o filme mais que competente ao retratar cheiros. Seja diretamente, como quando Baldini prova o “Amor & Psyche 2.0″ ou indiretamente, na reação das pessoas, como nas seqüencias finais.

No entanto, tendo lido o livro inúmeras vezes, me sinto no direito de fazer minhas adaptações.

A fotografia poderia ser mais difusa, impressionista. Não sei se em todo o filme, ou se apenas na visão de Jean-Baptiste. Entendo o desejo do diretor em valorizar a precisão do senso de Grenouille. Mas um ar um pouco etéreo não diminuiria a sua capacidade.

O mundo visto por Grenouille poderia e deveria ser diferente do real. As Coisas visualmente exuberantes calam-se no mundo dos cheiros. Muito do que se esconde dos olhos, foge para o mundo e anuncia-se com seu odor. As ruivas, vestidas no mundo real, nuas para ele.

Outros detalhes atrapalham esta minha visão purista: a primeira jovem estava muito longe dele no livro. Ela atravessa todo o fedor de Paris. Também não lembro de haver qualquer intercâmbio entre eles, qualquer contato anterior que não pelo seu cheiro.

Mas o que mais me incomodou foi a narração. Muito foi dito desnecessáriamente. Confesso que meu julgamento a este respeito é prejudicado pela leitura prévia. Mas ainda assim acho que as cenas eram boas o suficiente para dispensar o narrador em 90% das vezes. Certamente intromissão do produtor.

Bee: sorry, it could not wait. but I’m still waiting for yours.

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