Samsara

Todos os dias tento me reescrever a mim mesmo,
mas como fui escrito à caneta, não há borracha que dê jeito.

Resignado, rabisco em cima de mim todos os meus excessos.

Faço traços e curvas cada vez mais fortes até que não se distingua uma letra sequer.

Inutilizado o papel, digo:

agora, tudo vai ser diferente

Parto para a próxima folha do caderno, marcada profundamente por todos os meus caminhos, sulco fácil por onde escorrer a nova tinta.

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