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The Abominable Dr. Phibes

As Coisas: Paulo Francis comprava mais de uma vez o mesmo livro

O sentimento era conhecido: acordava com a necessidade de um certo livro. Possuía-o. Cada folha no passado consumida. Em si, a marca da dor da leitura multiplicando suas sinapses, sombras de alegrias e tristezas, um ou outro conhecimento que lhe fora útil vida afora.

Mas agora precisava do livro. Reforço tangível daquilo que um dia vivenciara.

Devidamente abandonado entre “crônica de uma morte anunciada” e a Utopia, de Morus. Não estava lá.

E a mente corre pela imagem perdida, pela sua vida desde o nosso último encontro. Como estaria. Como aquele canto dobrado, aquele sinal que deixamos para nós [mesmos] teria se atenuado. Se a frase sublinhada a unha, por falta de caneta ou coragem ainda seria detectada.

Me perco nas horas hipotéticas que perderia a buscar uma frase [marcada] que já não estaria lá. Chego na frase. Tem algo de incompleto, uma vírgula que não está onde deveria, uma mordida de traça no que era o mais perfeito final de frase.

Desisto da busca. Apenas uns dois outros lugares onde mais poderia estar. Não olho meu registro de livros emprestados. Melhor começar de novo. Me deixar encantar de novo. Iludir-me com a possibilidade de encontro original. Abraçar a possibilidade daquilo que é inédito e, ainda assim, exatamente como fora antes.

Parto para a livraria, a me deixar chamar por todas as [outras] sereias encadernadas que cantam: onde estivera ?

Mensagem para turma de Engenharia

Ana Paula, Batoré, Bello, Boza, Bruno, Carioca, Cássia, Diego, Gago, Gustavo, Helder, Kelly, Lívia das Tattoos, Mara, Marcela, Marcos Gabriel, Mr. Kool, Paulo José, Pavan, Porkinho, Rodriguinho, e Zilza:

Vocês são barulhentos, pertubados, irriquietos mas…

Brilhantes,

amigos, unidos, determinados e felizes !

Não deixem nunca que tentem lhes convencer de que alegria e trabalho não combinam. Você sabem e provam que isto não é verdade.

Neste período longe das aulas, vou guardar com carinho a lembrança da amizade desta turma e a de cada um de vocês.

Tio Pinho

They are here to save our lives.


“As Harold took a bite of Bavarian sugar cookie, he finally felt as if everything was going to be ok. Sometimes, when we lose ourselves in fear and despair, in routine and constancy, in hopelessness and tragedy, we can thank God for Bavarian sugar cookies. And, fortunately, when there aren’t any cookies, we can still find reassurance in a familiar hand on our skin, or a kind and loving gesture, or subtle encouragement, or a loving embrace, or an offer of comfort, not to mention hospital gurneys and nose plugs, an uneaten Danish, soft-spoken secrets, and Fender Stratocasters, and maybe the occasional piece of fiction. And we must remember that all these things, the nuances, the anomalies, the subtleties, which we assume only accessorize our days, are effective for a much larger and nobler cause. They are here to save our lives. I know the idea seems strange, but I also know that it just so happens to be true. And, so it was, a wristwatch saved Harold Crick.”

-Kay Eiffel, ‘Stranger Than Fiction’

FERREIRA GULLAR : Resmungos gramaticais


FERREIRA GULLAR

Resmungos gramaticais


Sofro de manias e uma delas é de chatear-me com certas expressões, que me parecem erradas

NÃO TENHO, obviamente, a intenção de aborrecer o leitor com minhas manias. Aliás, se dependesse de mim, só escreveria crônicas divertidas em vez de resmungos, graçolas. Mas é que sofro de manias e uma delas é de chatear-me com certas expressões, que vão se tornando comuns e que me parecem erradas. Está bem, está bem, já sei que não existem erros no uso do idioma, pelos menos, essa é a opinião dos lingüistas, e a última coisa que quero é ser considerado por eles um sujeito ultrapassado e ranheta. Mas que posso fazer? Se o cara, referindo-se à semana em que estamos, diz “essa” em vez de “esta”, tenho vontade de lhe mostrar a língua.
Lembram-se da época em que, a três por dois, usava-se a expressão “a nível de”? Essa é uma expressão espanhola e a pronúncia correta é “nivél”, com acento na última sílaba. Não se sabe como nem por que, políticos, jornalistas, deputados, advogados passaram, todos, a usá-la. Começaram dizendo, por exemplo, “a nível de teoria política”, depois “a nível de perseguição policial” e chegaram a jóias como “a nível de ração para cachorros”. Eu sei que está tudo correto e que eu é que sou um chato de galocha, mas sinto-me aliviado ao ver que a mania passou e já ninguém fala “a nível de”. Chego a consolar-me com a suposição de que a língua mesma se encarrega de expurgar esses contrabandos verbais.
Ainda assim, tenho minhas dúvidas, pois a cada momento ouço pessoas instruídas e inteligentes falarem “isso não significa dizer”, o que é uma tradução ruim do inglês. Por que não usam a expressão nossa, legítima e simples “isso não quer dizer”? E a mania agora (já de algum tempo) é usar o verbo postergar em vez de adiar. Você diria a alguém: “aquele nosso almoço vai ter que ser postergado?” Se não falaria assim, não escreva assim, essa é uma boa regra. Mas por que me incomodar com isso, já que ser pernóstico não é o pior dos defeitos?
Há defeitos piores, claro, e mesmo no terreno do idioma, em que todo tipo de atentado à língua se vê com muita freqüência no nosso dia-a-dia. Como disse, não estou querendo encher a paciência dos leitores, mas já repararam como alguns comentaristas de futebol usam certos verbos? Sabemos que o futebol tem um universo verbal próprio, bastante pitoresco, aliás, contra o qual nada tenho a opor, muito pelo contrário. Acho até divertido quando o pessoal se refere a “essa” bola. Nunca dizem, por exemplo, “ele podia ter chutado a bola” e, sim, ter chutado “essa” bola. O jogador nunca “perdeu a bola” e, sim, “perdeu o domínio”. São modos de falar muito pitorescos. O que me incomoda, porém, é quando dizem “Ronaldo machucou”. Machucou o que? O pé, o tornozelo? Não, querem dizer que ele “se machucou”, mas decretaram o fim do modo reflexivo do verbo machucar. E também do verbo “classificar”. Se pretendem dizer que o Corinthians não se classificou para disputar a Taça Libertadores, dizem “o Corinthians não classificou”, como se o verbo fosse intransitivo. A origem disso, não sei qual é, se nasce da corriola futebolística paulistana, mas a verdade é que, como falam para milhões de pessoas, terminarão por impor esse uso errado dos verbos ao resto do país. Perde-se alguma coisa? Vai alguém morrer em conseqüência disso? Não… então, só me resta ficar resmungando no meu canto, mesmo porque podem alegar que, no terreno da gramática, a zorra é total. Não se ouve na TV “as milhões de pessoas”? E como explicar por que o advérbio “sobre” passou a ser usado a torto e a direito em frases como “convencer as pessoas sobre a importância da lei” em vez de “da importância da lei” ou “ele discute sobre problemas sociais” em vez de “ele discute problemas sociais”?
Mas ao folhear um volume de Machado de Assis, deparo-me com a seguinte expressão: “A família Batista foi aposentada em casa de Santos”. Como aposentada na casa? Mas logo percebo que ele se refere aos aposentos que constituem uma casa, ou seja, a família Batista passou a ocupar um aposento da casa de Santos e, por isso, ficou “aposentada” ali. Descubro que a acepção atual é que é metafórica e decorrente daquela. E aí minhas convicções de patrulheiro vernacular começam a esvair-se. Continuo a folhear o livro: “o amor da glória”, em vez de “o amor à glória”, e pior: “a dona não adia da intenção de tomar o que era seu”. Não paro de me surpreender: “cabava de nascer”, por “acabava”, e este uso de “esquecer”: “também não me esqueceu o que ele me fez uma tarde”.
Diante disso, meto a língua no saco, se se pode dizer assim.

A probabilidade de envelhecer

Já estava ruminando um post sobre este assunto há alguns meses, mas a indicação de um livro por Camilo me forneceu o ferramental para entender aquilo que eu estava intuindo.
Tendo visto a argumentação do Taleb, já não consigo articular os pensamentos razoavelmente poéticos que estavam passeando pela minha cabeça. Sempre que me aproximo de um deles, sou capturado pelos raciocínios elegantes do livro “Fooled by Randomness”.

Minha intuição era que, ao longo da nossa vida, vamos construindo conceitos, regras e soluções. No início, tudo é novo, as regras são poucas, os exemplos idem e é sempre mais fácil alterar a nossa postura. À medida que o tempo passa, algumas idéias vão sendo reforçadas e ainda que contra-exemplos nos sejam apresentados, toda a nossa experiência prévia mantém a nossa convicção de que estamos certos.

Um exemplo uni-dimensional disto é a manutenção de uma média histórica. Se, desde o meu nascimento, eu registrasse o número de pessoas com óculos de grau que encontrasse na rua, é possível, a depender da minha idade que a minha média não sofresse grande perturbação depois do advento das lentes de contato e das cirurgias a laser [para correção de miopia].

Neste exemplo, propositadamente simples, fica claro que alguém mais novo leva vantagem. Ainda que sua experiência seja menor, todo o conhecimento acumulado, é, no contexto corrente, apenas fonte de erro, erro este potencialmente maior que o eventual erro [oriundo] da inexperiência.

Com a convicção de que a nossa observação do mundo tem como propósito último a nossa sobrevivência, observo que nosso apego por regras é especialmente pronunciado quando estamos evitando perigo ou mesmo algum desconforto. Se sempre que eu fui procurar comida perto de cavernas do lado do lago, uma família de leões estava lá, após algumas visitas, vou batizar as cavernas perto do lado de lugar amaldiçoado e nunca mais volto lá. De nada adianta saber que os leões foram mortos ou se mudaram. O lugar é maldito.

Num contexto ligeiramente mais moderno, todas as vezes no passado que tomei chuva me lembram de sair de casa com o guarda-chuvas. O desconforto da chuva e do frio exagerando a nossa percepção da probabilidade de chover[um argumento interessante apresentado por Taleb, que me ajuda neste exemplo, é a existência de estudos que mostram que experiências negativas tem maior impacto sobre o nosso humor e tendem a ser retidas por mais tempo na nossa memória que experiências positivas].

Enfim, envelhecer é abraçar velhas percepções, regras e probabilidades. Achar que aquilo que me serviu tão bem ajudará a todos que virão. Envelhecer é escrever um livro de auto-ajuda e esperar que ele funcione.

Mas Taleb vai além, mostrando que boa parte das nossas verdades e regras funcionaram por puro acaso ou foram construídas, a posteriori, em nome de uma busca inata pela razão e motivos, mesmo quando estes não existem ou não são aparentes. Dado um evento que nos é favorável, vamos buscar eventos que expliquem este resultado. O livro é, obviamente, muito mais que isto e uma excelente leitura.

In the end, this is a random and unscripted world, one which the book of rules was not even lost, it was simply never written.

PS. the last line is not from the book, but one I have written originally in another context.