As Coisas: Escolhas

Em movimento, toda a vontade vai em direção à opção menos provável. Não na direção impossível, pois nesta fica convencida da sua impotência.
Nos momentos decisivos, naqueles que antecedem os longos períodos de imobilidade, naquele raro momento em que o que está por vir não é claro, em que o desfecho não é garantido e nem mesmo nos surpreenderá, neste breve instante, um lado apresenta-se como favorito na busca pelo ver o mundo, em estar voltado para o sol e assim sentir o lento expandir e contrair deste calor, como uma pulsação de coisa quase viva.

Assim, desta face favorita se tenta esquecer. Concentra-se naquela, que embora não de todo esquecida, é menos afortunada nas decisões do mundo. Rezas, encantamentos e orações, na falta de braços e pernas e músculos, travam esta batalha silenciosa e instantânea.

Já no campo da batalha perdida, sobrevive a dor de aceitar a sua incapacidade ou a dúvida de não saber se assim já não seria, se nada fosse tentado.

Adolf, Apollo e Aquarius: Quem será o aquecimento global ?

Nosso mundo irá mudar. Nem tanto pelos efeitos da acumulação do dióxido de carbono na atmosfera, mas pelo impacto da reorganização da sociedade para lidar com o anunciado aquecimento global.
Há muito que fatores ambientais não são o principal fator determinante da riqueza das nações. Importantes, sim, mas lugares desprovidos de recursos como o Japão e Las Vegas prosperam sobre fatores outros que não a disponibilidade de recursos naturais.

É certo que o impacto no cultivo de alimentos e na produção de energia, além de uma maior necessidade de obras civis e de investimentos de saúde para lidar com os efeitos nefastos do aquecimento global podem ser importantes, mas, é preciso lembrar que sem aquecimento legal, sem Kyoto vigente, há fome no mundo e a malária mata mais de 1 milhão de pessoas todos os anos, apesar de ser uma doença tratável.

Assim como existe o tratamento para a malária, existem no mundo os recursos necessários para transformá-lo radicalmente. E é neste ponto que o aquecimento global pode ter o seu maior impacto. Uma vez que não há visto de entrada para furacões, como não se podem construir muros para barrar as altas temperaturas, ele não pode ser ignorado pelos países desenvolvidos. Assim podemos esperar que uma imensa quantidade de recursos seja direcionada para a questão.

Imagino que primeiro modelo de organização do mundo a ser considerado é o de uma economia de guerra, com o CO2 no papel de um Hitler invisível. Não tivesse mudado um pouco postura, Bush seria o candidato natural a ser colocado atrás das linhas inimigas.

Especulo que assim como as Guerras Mundiais anteriores, está também será uma guerra a ser travada no hemisfério norte (i.e. Países OCDE), tendo lá seus campos de batalha, e relegando aos demais países um papel periférico. Neste cenário, o aquecimento global seria a arma para frear o crescimento de Índia e China e arrasar com o oriente médio, com pesadas restrições ao uso petróleo. O Brasil poderia ser beneficiado por uma substituição do petróleo pelo etanol, neste cenário e tomar o lugar da Arábia Saudita ou, do Iraque, o que não é necessariamente bom, como bem sabem os iraquianos.

No entanto, ainda que a população mundial atinja os níveis de mobilização necessários para suportar as restrições a serem impostas por um corte radical na sua dieta de carbono, talvez este não seja o inimigo correto.

No TED Talks, um dos palestrantes argumenta que tentar simplesmente reduzir os níveis de CO2 da atmosfera é a mesma coisa que um médico dizer a alguém que levou um soco no nariz: “não leve socos no nariz”. Médicos trabalham com prevenção também, mas boa parte da sua prática envolve a eliminação de sintomas e a correção de problemas.

É neste sentido que se propõe, por exemplo, a colocação de painéis no espaço capazes de refletir parte da energia recebida do sol. É também com este espírito que o bilionário inglês Richard Branson está oferecendo um prêmio de US$25 Milhões para quem desenvolver formas alternativas de captura de CO2 da atmosfera.

Aqui estamos diante de um novo projeto Apollo. Se outros indivíduos ou mesmo governos trabalharem neste sentido, poderemos ter um nova corrida espacial. Aqui vejo pouco espaço para mudanças na geopolítica global. Afora benefícios indiretos que o investimento massivo em ciência traz para a população como um todo, os avanços tecnológicos deste tipo de iniciativa terão como objeto direto a manutenção do american way of life, lá pelas bandas deles, funcionando da mesma forma que o projeto Apollo, que servia de vitrine e de justificativa para o desenvolvimento de tecnologias, que, em última instância, seriam usadas nos embates militares e políticos da guerra fria.

Por fim, poderemos ver nascer uma nova era de aquarius, com os povos dos países desenvolvidos enxergando que o seu modelo de desenvolvimento não se sustenta e que a vida na terra só será possível quando todo ser humano for tratado como igual e que as benesses do desenvolvimento chegarem a todos. Mas isto é apenas conversa para cooptar os ecologistas mais ingênuos.

Para ouvir Elis

O melhor que poderia acontecer com Elis, a cantora, foi a morte de Elis, a pessoa. Para os seus parentes, amigos e familiares isto é certamente controverso, e talvez de gosto duvidoso. Mas que fique claro que falo do ente puramente conceitual, numa divisão tão bem perseguida pelo Édson e pelo Pelé.

Se viva, deveria melhorar, indefinidamente Não tem a desculpa de Pelé e de todo jogador de futebol que têm uma hora para parar. Por mais que eu aguarde, Gal não consegue repetir, em mim, o efeito que tinha antes. Cordas vocais, e sobretudo vontades também se cansam. Merecido descanso depois do muito realizado.

Mas se as cordas e as vontades cansam, a música pode ganhar com a complexidade que adquirimos, com as nossas tristezas e manias. Basta olhar esta música, em versão de Elis e de Sandy. Como bem disse Beto, a menina ainda tem que levar muito chifre se quiser chegar lá. Para ouvir Elis, recomendo começar pela versão dela, ouvir a de Sandy e depois voltar apara Elis, e depois silêncio.

Elis Regina – Atrás da Porta

Sandy – Atrás da Porta

Numa outra mostra de como um Big Mac pode ser útil para melhor saborear um Steak au Poivre, têm estas duas explicações sobre Web 2.0. Uma delas é poesia, a outra, aula chata. Confiram.

Web 2.0 … The Machine is Us/ing Us

Web 2.0

É a mesma coisa, só que diferente

Às vezes, pequenas mudanças na maneira de enxergar as coisas fazem grandes diferenças. Outras não. A decisão fica a gosto do freguês.

O governo recentemente mudou a forma de contabilização do déficit da previdência. Antes tudo caia numa conta só. Tanto o prejuízo dado aposentado que se aposenta fraudulentamente por invalidez e o defunto que fica recebendo, quanto o prejuízo daqueles que legalmente recebem sem nunca ter contribuído, como é o caso de alguns trabalhadores rurais.

O Estadão malhou. Parece que Miriam Piglet também. Defendem que a conta, no final é toda do Tesouro mesmo, não muda nada. Que, no final, a viúva paga a conta.

Acontece que a separação, permite, entre outras coisas, separar aquilo que, de certa forma, são favas contadas, daquilo em que há espaço para mudança. Se há déficit para o pagamento daqueles que contribuem, há aí erros de gestão que podem e devem ser corrigidos. Se este déficit fica escondido junto com o outro, não sabemos o quão boa gestora é a nossa previdência e nem mesmo se ela melhora ou piora.

Mostrar o outro lado é bom também, permite à sociedade enxergar quanto custa esta política social e assim poder avaliá-la.

Melhores argumentos a favor são feitos pelo Nassif.

A Teia Eleitoral foi uma iniciativa que busca a melhoria pela melhor disponibilidade e clareza de informações. As iniciativas da Transparência Brasil também seguem esta linha.

Uma iniciativa um pouco mais mórbida, mas que espero que dê frutos, é o Rio Body Count. Confira:

A persistência da memória

Recentemente achei num cache do Google um arquivo que os seu autores provavelmente desistiram da sua publicação.

Parece que este grande computador Assimoviano que é a Internet já não esquece mais nada. Nem os pequenos. Quando compro um novo HD, tenho espaço para colocar tudo que tinha no antigo e ainda sobra mais do que o que tinha no antigo em espaço livre.