Pessoas

Para ser grande, sê inteiro:
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim, em cada lago a lua toda brilha,
porque alta vive.

Fernando Pessoa

Este post está velho ?


Desde o início deste blog, foram 43 posts, distribuídos ao longo de 152 dias, o que dá 1 post a cada 3,53 dias. Analisando o tempo médio entre um post e outro temos 3,62 dias.

O post anterior já tem 4 dias, portanto acima do tempo médio, mas dentro do desvio padrão de 2,88 dias encontrado.

Mas todo este papo é, agora, inútil, afinal, o último post tem, neste momento, apenas segundos de existência.

Le Crapaud Noir

o sapo boi que eu engoli ontem está boiando dentro do meu estômago. e a insônia grudou nos meus olhos e deu à minha boca um gosto de febre.
às 10:34 em ponto, ela entrou no escritório, eu sei porque cada tique do relógio reverberava na minha cabeça como um ataque dos exércitos aliados.

susto. acho que ela teve essa impressão minha quando entrou no escritório. pelo menos foi mais ou menos com um pequeno sobressalto felino que ela me percebeu. os olhos dela pararam em mim como de um pequeno mamífero encurralado.

estranho como me lembro nitidamente deste episódio. aquela pequena sala, não lembro a cor das paredes, mas a vibração era de um cinza cimento, cinza concreto. acho que reconstruí a sala na minha mente de acordo com a imagem que faço dela.

não sei, isso é confuso. tenho certeza de que havia um ventilador grande, velho e empoeirado. e que o ventilador estava desligado.

atrás de mim, certamente havia uma janela, que me iluminou à frente dela como se eu fosse uma aparição. isso certamente a impressionou. lembro dela ter fechado a janela ao sairmos.

será que lembro ou construí isso em cima de alguma outra coisa ? naquele dia eu dei um passo dentro de um mundo do qual eu ansiava fazer parte. e do qual, meses depois, me desligaria.

mas que diabos isso tem a ver com o sapo boi que coaxa dentro do meu estômago?

pequena edição sobre trechos de S.i.s.s.i.

Enquanto isso, há fome no mundo…

Domingo, ressaca. Banho. Acabou o sabonete. Olho debaixo da pia. Suspiro de Morango.

Vejo sobre a pia. Pêssego, Figo, Cacau + Frutas Vermelhas Cozinha, Banheiro ?


Não há duvida: Pêssego, sabonete hidratante.

Confuso e resignado volto ao chuveiro.

Busco pelo Shampoo. Girassol + Arroz: Condicionador. Maracujá: sabonete esfoliante. Castanha do Pará com mel: condicionador intensivo. Com granola deve ficar bom…

Finalmente, Amora + Sândalo: Shampoo Força… Tem também a opção Sem Sal

Fica a dúvida: hidratante corporal de iogurte de limão cura ressaca ?

Enquanto isso, há fome no mundo…

A situação é fictícia, mas As Coisas são reais.

A beleza de uma obsessão

Acredito que invariavelmente as coisas belas são fruto de manias. É preciso estar num estado de permanente desconforto, de achar que mesmo com um Nobel debaixo do braço, de ter desvendado o DNA, é preciso partir para desvendar a mente humana.

O caminho trará recompensas e desculpas para a acomodação, sempre. Kasparov ganhou torneios regionais de xadrez antes de se tornar campeão mundial. Poderia parar por aí. Ele foi estimulado para o xadrez por seus pais, mas é interessante como, às vezes, certas obsessões podem ser transpostas, como Rainer Brockerhoff, desenvolvedor de software para Mac, que confessa ter herdado a mania de “de polir e aperfeiçoar ao máximo os … produtos” dos seus ancestrais marceneiros.

Dificuldades e barreiras intransponíveis também não vão faltar. Ilusões:

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.

Jean Cocteau

Campeão absoluto nas artes da superação e busca frenética pelo sublime nos mais diversos campos é o pianista João Carlos Martins. Pianista renomado, atormentado por acidentes e doenças nas suas mãos, pára, destaca-se no mercado financeiro, volta, pára de novo e assim até hoje, quando inicia uma nova carreira, como regente, tendo o status de “idoso” e quando seus discos de ouro certamente lhe garantem a aposentadoria.

O video abaixo é do excelente documentário A paixão segundo Martins. Assista, e depois, mude o mundo, ou pelo menos o seu. Movimente-se.

Hino Nacional – por João Carlos Martins – Documentário Die Martins-Passion

Viva Samoa !

O envio de artigos para conferências e periódicos internacionais é, em geral, automatizado. Para não deixar ninguém de fora, é comum os prazos de submissão dos sites seguirem o fuso horário de Apia, capital de Samoa. Nessa brincadeira, ganho 9 horas a mais para brigar com o texto dos artigos.

E além disto, parece que as praias não são de se jogar fora.

As Coisas: espirais


Quero fazer uma poesia que ande em círculos
mas que não seja repetitiva

Quero fazer uma poesia 100% original
mas que seja uma homenagem ao que já foi feito

Quero fazer uma poesia que vá cada vez mais alto
mas que nunca se perca

Eu vou fazer uma canção de amor

Vagar: 2 anos, em 1999

Vi uma chamada para uma reportagem sobre o caminho de Santiago e fiquei pensando:

O que pode haver em um caminho que o permita transformar as pessoas ?

Quando Colombo deixou o porto de Palos e chegou ao novo mundo, sacramentou a impossibilidade do ser humano ir a qualquer parte por si só.

Ao juntar o mundo, Colombo quebrou a sua continuidade. Definiu Velho e Novo Mundos. Dois em um único planeta. Para atravessar de um mundo a outro eram, e pode-se dizer que ainda são necessárias imensas naus, ou naves, como queiram.

Quando entramos nessas naus, carros, aviões, entre outras, sumimos num ponto e aparecemos em outro sem entender o ser um só, sendo vários. Perdemos parte importante do processo.

Assim, um caminho é capaz de juntar novamento o mundo, torná-lo uno. Mostrar-nos que o mundo de Santo Amaro é o mesmo que o mundo de Conceição da Feira, o mundo do Catete é o mesmo que o mundo de Ipanema, que o mundo de França é o mesmo que o mundo de Espanha.

Este é o valor de Amir Klink remar o oceano. Costurando novamente Velho Mundo e Novo Mundo.

Este é o valor do Vagar, que reconstroi o único meio de transporte não nave, o único meio de transporte que não permite a alienação do caminho, cujo o meio é tão fim quanto a chegada : O Andar.

Mas nem só de meios vivem os fins. Quem Vaga desloca-se ou apenas movimenta-se. E para deslocar-se é necessário movimento e fim.

Originalmente publicado em 07/08/1999 19:06, Aqui.

TEDTalks: Rives

Tenho pensado, e relutado, um pouco sobre postar vídeos aqui no blog. Ainda acho que o texto tem uma relação mais democrático com o leitor. Exige a sua participação, ao mesmo tempo que permite que, num passar de olhos, ele possa decidir engajar-se ou não na leitura efetiva da coisa.

Mas este videozinho (tem apenas 3 minutos) é ótimo para falar do TED Talks, uma excelente dica de Camilo. Também é mais próximo da temática deste blog, enquanto as demais apresentações são um pouco mais tecnológicas. Confiram.

Three minutes of fast-paced, whip-smart wordsmithing from spoken-word artist Rives, who has some unconventional ideas about how the Internet should be run. By turn provocative, touching and flat-out hilarious, Rives is one of the most original talents on the spoken-word scene. He’s a gutsy poet who constantly pushes the limits of the genre: striving to reinvent the form, and find new contexts to make poetry relevant. Rives originally trained as an engineer, and he writes pop-up books for children on the side. (Recorded November 2006 in New York, NY. Duration: 4:15)