As Coisas: espaço vazio

Posted in AsCoisas, Verso e Prosa on January 25th, 2010 by Roberto Pinho

Passava quase todo dia por lá. Não havia escolha: este era o caminho mais curto. Não passar por lá era reconhecer a importância do lugar, da memória referenciada daquilo que poderia ter sido.

O lugar era duplamente irreal. Ela nunca morara lá. A janela marcava o lugar apontado em uma informação desencontrada. Alí fixara residência apenas o objeto imaginado da sua paixão nunca alcançada.

Depois, conhecera o verdadeiro endereço, o verdadeiro amor, a verdadeira mulher, e, enfim, a verdadeira dor e desilusão.

Mas naquela janela, aberta para o verde onde cresce a esperança¹, sobrevivia o peso do amor maior que nunca conheceria.

Roberto Pinho

¹”aberta para o verde onde cresce a esperança”: Thiago de Mello, 1964. Estatuto do homem – ato institucional permanente.

Sempre útil em ano de eleição

Posted in Ossos dos ofícios, Política e sociedade etc on January 23rd, 2010 by Roberto Pinho

by PhD Comics

Pequeníssimo Compêndio de Músicas sem noção

Posted in AsCoisas, Sucesso de Público on December 5th, 2009 by Roberto Pinho

Uma música sem noção é aquela em que a música segue alegrinha apesar da tristeza retratada na letra. Falando pernosticamente,  geram dissonância cognitiva.

Contribuições são mais que bem-vindas.

Supertramp – It is raining again

Kid Abelha – Os Outros

The Sun 4.0

Posted in Política e sociedade etc on November 30th, 2009 by Roberto Pinho

Crazy ones

Posted in AVida, Política e sociedade etc on November 30th, 2009 by Roberto Pinho

Apple – “Crazies” from AdGiant on Vimeo.

Did you Know 4.0

Posted in Ossos dos ofícios on November 26th, 2009 by Roberto Pinho

Retidão e Dúvida

Posted in Verso e Prosa on November 3rd, 2009 by Roberto Pinho

René Magritte, The Son of Man, 1964, Restored by Shimon D. Yanow

Sua vida era o teatro. Decidiu que iria perfeitamente desempenhar o papel que acreditava dele ser esperado. Ao longos dos anos foi ampliando o tempo dedicado à personagem, aos poucos abandonando outras possibilidades.

O cabelo reto, a gravata em paralelo às riscas da camisa, as palavras extraídas dos clássicos. Toda e qualquer criação era ofensa aos autores, aqueles outros, aqueles anteriores, da geração que tudo explicara e resolvera. Aqueles do tempo dos mistérios e das razões que não saberemos nunca, pois éramos, lá, meramente crianças, filhos esquecidos de gigantes.

O papel perfeito completa-se na audiência perfeita, e, à medida em que cada fio de cabelo embranquece e encaixa-se no lugar determinado, mais seleta torna-se a platéia. Um a um saem os assistentes, alienados por um espetáculo que não lhes diz respeito.

Até que, no monólogo triunfal final, resta apenas um na platéia, que já não pode aplaudir ou vaiar, que já não está lá, que já não pode dizer:

Estes tempos presentes

Posted in AVida on October 30th, 2009 by Roberto Pinho

Sargento Getúlio, Twitter e a pasmaceira neste blog

Posted in AsCoisas, Verso e Prosa on October 26th, 2009 by Roberto Pinho
Este ano cometi um erro: li Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro. Pulei a leitura no ensino médio. Sempre com manias de grandeza, resolvi ler Viva o povo brasileiro, que nunca terminei.

Agora, Sargento Getúlio mata toda uma família de posts. Todas as vozes interiores que posso pensar são inúteis. A voz do Sargento é, assim, definitiva.

Já aqueles posts que resistem ao tiroteio do sargento, morrem na perspectiva do Twitter. No passado (A.T.), um post surgia com uma ideia, uma frase. Como escrever uma única frase em blog é coisa pobre, ficava na gaveta engordando, esperando a disposição e disponibilidade para lhe atrelar um corpo.

Agora paira a sombra do twitter: mando logo para o twitter (que não uso para escritos) ou espero a cria engordar? mas é válido criar um texto que é, em última análise, mero coadjuvante da frase principal, se há agora ferramenta em que soltar algumas poucas letras não é considerada ofensa?

Mercedes Sosa

Posted in Verso e Prosa on October 4th, 2009 by Roberto Pinho